FESTA DOS INCLUÍDOS, DOR DOS EXCLUÍDOS

A aproximação do Dia da Pátria, celebrativo da independência política no 7 de setembro de 1822, leva-nos a refletir sobre outro momento forte da independência política, o dia das eleições em 4 de outubro: eleitor consciente e independente de pressões econômicas torna-se agente de libertação de seu país.

Entre nós, o 7 de setembro coincide com o Grito dos Excluídos, o grito da imensa massa de brasileiros que pouco têm para festejar, marginalizados que estão dos benefícios naturais de uma Pátria: trabalho, casa, saúde, terra, educação. A festa dos incluídos e a dor dos excluídos não deve aparecer como conflitantes: é ocasião sagrada para ambos refletirem sobre o sentido da Pátria, que não é pátria enquanto não reunir em si, em igual dignidade, todos os seus filhos.

Pátria vem de “pai”, é a “terra dos pais”, o berço onde os pais acalantam e criam seus filhos, dando-lhes sempre mais como alimento os ideais da dignidade, da igualdade, da liberdade, do uso geral dos bens oferecidos pelo solo pátrio. E no Brasil, país cristão, de modo próprio podemos falar no alimento da fraternidade, que não é conceito político, mas religioso: a fraternidade subsiste apenas com a paternidade comum, em nosso caso, o Deus Pai de Jesus Cristo, por adoção nosso Pai.

A situação de grande parte da população brasileira, excluída dos principais direitos sociais e econômicos, é um grito há séculos contido, mas agora sempre mais manifesto, pungente, para ser ouvido ao som do “Independência ou Morte”, queiram ou não os eternos banqueteadores, cujos palácios se isolam do conjunto real da nação para continuarem onde há séculos se encontram: isolados do povo mas às suas custas vivendo.

Neste final de século não estamos mais para patriotadas, desfiles de armas, de tanques, de crianças fantasiadas de soldados da Pátria. O conceito de Pátria está se dissociando do conceito de fronteira para se ligar mais ao conceito de justiça social. Ama-se um país como resposta ao respeito que sua organização jurídica e econômica tenha por seus habitantes. Quando não tivermos mais necessidade de gritos de excluídos, teremos enfim a alegria de celebrar a Pátria paterna, construtora de casas fraternas.

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