PEDRO E PAULO – INSTITUIÇÃO E CARISMA

São Pedro e São Paulo

São Pedro e São Paulo

“Pedro, o primeiro a proclamar a fé, fundou a Igreja primitiva sobre a herança de Israel. Paulo, mestre e doutor das nações, anunciou-lhes o Evangelho da Salvação”. Assim reza o Prefácio da Missa de São Pedro e São Paulo, indicando historicamente a  característica dos dois Apóstolos, colunas da Igreja de Cristo.

Pedro, pescador da Galiléia, permaneceu fiel à herança cultual e cultural de seu povo e Paulo, abriu-se à missão entre todos os povos, pregando o Evangelho da liberdade frente os costumes judeus. Pedro simboliza a instituição, a permanência dos valores e a fidelidade à grande Tradição. Sem Pedro, o cristianismo seria apenas sabedoria, gnose, não seria o fruto maduro da revelação divina na História. Sem Paulo, que simboliza o carisma, ficaria sufocado em tradições e esclerosado numa organização pétrea.

Pedro é a garantia de que a Igreja é um ramo enxertado na oliveira de Israel, confirmando a união indissolúvel entre os dois Testamentos. A Igreja e Israel são herdeiros de Abraão.

Paulo é a garantia de que a Igreja é o Israel de Deus, mas livre das tradições cultuais e morais do templo, pregando a salvação pela graça, a justificação pela fé e não pela obediência a tradições.

Pedro, bispo de Roma, indica o primado das Igrejas locais, cuja unidade revela o esplendor da Igreja católica. Paulo, doutor das nações e semeador de Igrejas, demonstra a provisoriedade dos limites geográficos: a Jerusalém do alto é livre, e é nossa Mãe.

Reveste-se de grande simbolismo comemorar os dois Apóstolos num mesmo dia, enriquecendo-se mais ainda o simbolismo com a celebração do Dia do Papa não na festa de Pedro ou de Paulo, mas na festa de Pedro e de Paulo. Pedro dá ao Papa a pedra da profissão de fé, é a rocha sobre a qual Cristo edificou sua Igreja. Paulo lembra ao Papa sua missão universal, a fecunda criatividade da Trindade, que não está aprisionada nem em culturas nem em tradições, mas sempre surpreendendo a história com novos carismas.

A missão primordial do Papa não é especificamente o governo da Igreja (um modo de exercer o ministério papal que no máximo tem 500 anos), mas a confirmação dos irmãos na fé, a fim de que haja a unidade do rebanho em torno do Senhor. O trunfo imorredouro da Igreja de Pedro, reconhecido com gratidão por todos os patriarcados da Antigüidade, foi sempre ter conservado a fé apostólica, jamais caindo na heresia. É o troféu do Papa, essa fidelidade ininterrupta à verdade cristã.

O nome de João Paulo II é Pedro. Sua missão, porém, é de Pedro e de Paulo: fidelidade à grande Tradição e abertura corajosa à criatividade do Espírito.

Talvez a imagem de Papa Wojtyla alquebrado, fisicamente uma cruz deformada, corcunda, babando, com pronúncia deficiente, incapaz de uma dúzia de passos, seja um símbolo muito mais forte do que o antigo cruzado que brandia o báculo como se fosse uma espada. Sua fragilidade encanta o mundo: pouco ele pode fazer, mas faz de modo perfeito aquilo que é sua missão: amar o Senhor, amar a Igreja, conservá-la unida na fragilidade de Pedro e na força de seu Senhor.

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  1. #1 por Jefferson em 22 de outubro de 2009 - 19:08

    Pe. José,
    Seus escritos muito enriquecem nossas vidas,
    e, de modo especial, minha caminhada vocacional.
    Parabéns!
    Que o Senhor te conserve fiel ao seu ministério!

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