O CRESCIMENTO DE UMA IGREJA

Brasão da Arquidiocese

Brasão da Arquidiocese

Há 75 anos atrás, com a criação das dioceses de Joinville e Lages, o Estado catarinense foi constituído em Província Eclesiástica, tornando-se Florianópolis (1908) arquidiocese. A Igreja de Florianópolis teve parte de seu território desmembrado com a posterior criação das dioceses de Tubarão, Rio do Sul e Blumenau.

A arquidiocese jubilar passou por transformações muito significativas, a partir da década de 60, especialmente no campo populacional e depois religioso. No período anterior, as paróquias de vida pujante também do ponto de vista econômico eram as rurais, provenientes do mundo das migrações alemã, italiana e polonesa. O mundo rural era o orgulho dessa Igreja incansável. Toda a Ilha de Santa Catarina e o litoral assim chamado de “brasileiro” eram vistos como pobres em todos os sentidos, quase objetos de compaixão. Florianópolis e o litoral tiveram supressas ou anexadas as paróquias de Canasvieiras, Rio Vermelho, Lagoa, Santo Antônio, São Miguel, Enseada de Brito, Penha, Porto Belo, Garopaba. Generosos vigários se encarregavam de atender a esse povo através de longas e heróicas desobrigas.

A década de 60 marcou um inflexão impressionante: a fundação das duas universidades (Ufsc e Udesc), a vinda e a criação de grandes estatais, a descoberta do turismo, tornaram a Ilha e o litoral centros do deslocamento populacional do mundo rural para o mundo urbano em busca de estudos e de empregos. Com isso, o mundo rural ficou menor e mais pobre e os territórios antes pouco significativos crescem nos índices populacionais e econômicos. As paróquias extintas ou anexadas foram reativadas. Há um grande intercâmbio entre o mundo rural e o urbano através dos empregos e estudos. Um intercâmbio entre novas Igrejas cristãs, seitas, religiões orientais e a secularização.

A arquidiocese é hoje um grande conjunto urbano povoado por uma religiosidade popular remanescente, por uma nova religiosidade originária das novas migrações e por uma multidão de indiferentes. O modelo excludente brasileiro trouxe tanto gente bem de vida como pobres agricultores do oeste paranaense e catarinense e do planalto, hoje encontrados nos morros e periferias, cujos filhos com certa facilidade podem ser tragados pelo mundo da droga e da violência urbana.

É esse mundo rico de iniciativas, de amor à vida, de tradição e de criação, que dá as boas vindas ao recém nomeado 4o arcebispo de Florianópolis, Dom Murilo S. R. Krieger, aguardado como pastor dos incluídos-excluídos, da cidade e do campo e esperado em coração e vestes do Bom Pastor. Eram 15 paróquias no atual território em 1927: hoje 58. Um belo mundo para o Evangelho.

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