PAZ, FRUTO DA JUSTIÇA E DO PERDÃO

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“Não há paz sem justiça – não há justiça sem perdão”, é o tema da Mensagem de João  Paulo II para a Celebração do Dia Mundial da Paz, 1o de janeiro de 2002.

O Papa é um símbolo vivente dos horrores do século que passou e que adentram o novo milênio. Padeceu os horrores do nazismo, do comunismo, do capitalismo desumano, do terrorismo. Trabalhos forçados, vida na clandestinidade, atentado terrorista e os clamores diários que lhe chegam dos mais diferentes povos, pedindo-lhe a intercessão pela paz e pela dignidade humana.

A justiça é fruto da paz, da tranqüilidade da ordem. E a paz não se mantém sem o perdão. João Paulo II lembra que a vingança nos dá uma satisfação imediata, mas grandes prejuízos no longo prazo (atentados, guerras, destruições, fome). Já o perdão inclui uma privação no imediato, dando a impressão de fraqueza, mas traz imensos benefícios a longo prazo.

O perdão não supõe a ausência da justiça, mas justiça conduzida nos trâmites legais. Lembrando os ataques terroristas, diz que a justiça contra o terror não pode ser contra um povo, um território, uma religião, mas aplicada diretamente no criminoso. Talvez referindo-se aos norte-americanos que na sua sede de domínio e presumida justiça punitiva castigam pela fome e pela miséria humana povos como os cubanos, os iraquianos, os afegãos.

Há uma condenação veemente de qualquer tipo de terrorismo, obra de pessoas que não respeitam o ser e a vida humanos. Mas previne que, muitas vezes, por detrás do ato final do terrorista se escondem interesses econômicos, militares, financeiros. As grandes quantias de dinheiro despendidas no terror incluem um retorno ao patrocinadores. Adverte para o grande pecado que é usar o nome de Deus para a guerra, a vingança, o terrorismo. O uso do santo nome de Deus para qualquer ato de vingança é profanação da religião,  não passa de ateísmo, pois Deus quer misericórdia e não sacrifício.

Uma palavra de carinho e de dor é dirigida aos palestinos e israelenses, numa guerra fratricida há cinqüenta anos. Ora dolorosamente pela paz na terra onde Deus celebrou seu encontro com os homens, começando por Abraão e chegando ao Senhor, Príncipe da Paz, nascido em Belém e ressuscitado em Jerusalém. Não há outro caminho para Israel viver em paz, a não ser devolvendo os territórios que tomou do povo palestino.

O Papa salienta a responsabilidade específica dos líderes religiosos, cujas religiões devem colaborar entre si “para eliminar as causas sociais e culturais do terrorismo, ensinando a grandeza e a dignidade da pessoa e incentivando uma maior consciência da unidade do gênero humano”.

João Paulo II nos convida a todos para a oração e ação pela paz. E, como gesto concreto, convidou os representantes das religiões do mundo a virem a Assis, no próximo dia 24 de janeiro, para rezar pela paz.

Pede a Deus que nos faça instrumentos da sua paz.

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