11 DE SETEMBRO DE 2001

11 de Setembro de 2001

11 de Setembro de 2001

O grande sonho da humanidade no final do segundo milênio foi poder viver, enfim, um tempo de paz e fraternidade. Afinal, após atingir tão elevado nível de progresso e civilização, seria a hora de usufruir de suas benesses. Não é o que está acontecendo.

O terceiro milênio está tendo como primeira tarefa um exame de consciência dos países assim chamados do primeiro mundo: por que tamanha riqueza em tão poucas nações e tamanha miséria em tantas? Até que ponto o caldeirão da pobreza agüentará sem explodir em meio às mesas fartas?

Os séculos 19 e 20 foram grandes séculos de humilhação dos povos: a Europa ocidental, o Japão e a América do Norte se acharam no direito de colonizar continentes inteiros, destruir culturas milenares e usufruir de suas riquezas. Religiões como a hindu, a islamita, as africanas, foram humilhadas por orgulhosos cristãos que extorquiam riqueza e domínio em troca de um cristianismo atraiçoado. O século 20 foi o maior século de migrações da história, com dois endereços: dentro do próprio país rumo à ilusão das cidades, e do sul (pobre) para o norte (rico) do mundo. As soberbas nações brancas estão sendo coloridas por negros e asiáticos que têm a necessidade e o direito de motivarem seu êxodo: o que era nosso vocês levaram; o que ficou não dá para nós: queremos participar da mesa na casa de vocês.

A riqueza do primeiro mundo não é inocente: seu dinheiro é feito com pele de pobres e pintado com sangue de oprimidos. Como o bolo do mundo é um só, se alguém arrebatou um pedaço grande, deixou o outro com migalhas. Não há o tal milagre da competência nessa riqueza: há a desumanidade da concentração de bens nas mãos dos mais fortes.

Dois países, da mesma língua, representam os mais poderosos impérios do mundo moderno: a velha e silenciosa Inglaterra, rainha dos mares, financiadora dos piratas e maior potência colonizadora do mundo capitalista. Dominou e extorquiu a Ásia e a África e comeu o filé mignon da América latina; e os Estados Unidos, alimentados por uma pseudo vocação de salvar a democracia no mundo e que desde 1914 ditam as regras do comércio internacional, sugando o sangue das nações e retribuindo com soro contaminado. Em nome da democracia atacam um empobrecido Iraque e bajulam a China e os regimes corruptos que lhes beijam a mão com ofertas comerciais.

O dia 11 setembro de 2001, quando três aviões terroristas atacaram e mataram inocentes nos Estados Unidos, tem um significado metafísico: a morte se vingou da morte, em nome de inocentes, criminosos sentem-se no direito de assassinar inocentes. Ambos os lados invocam o deus da justiça e da vingança. O direito não está com nenhum, pois Deus está do lado da vida e da fraternidade.

O Afeganistão, há séculos explorado por colonizadores e chefes tribais é o campo de batalha de ricos contra pobres, de mísseis contra pedras e cavernas.

Aprenderemos a buscar a paz com a justiça?

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