O CRISTIANISMO – PEDAGOGIA DE SANTIDADE

"Ide por todo o mundo..."

“Ide por todo o mundo…”

No decorrer da história, a Igreja serviu-se de diferentes métodos para evangelizar, desde o convite para a aceitação da fé até as conversões forçadas (saxões, negros, índios, asiáticos…). Em situação de força, tendeu a ser intransigente, em situação de fraqueza, tendeu a ser humilde, atitude normal a toda instituição. A história, conduzida pelo Espírito, sempre a faz retornar à mansidão do Senhor.

Nos primeiros séculos, foram dois os métodos principais de realizar a missão: o anúncio explícito dos evangelizadores e a evangelização por “contágio”: formavam-se pequenas comunidades que atraíam discípulos pelo estilo de vida que levavam. O “contágio” dava-se pela admiração, pelo desejo de encetar o mesmo caminho. Não havia a preocupação em cristianizar multidões e sim, o desejo de formar comunidades de testemunho, de discipulado.

Quando João Paulo II lançou o programa da nova evangelização, chamou a atenção para uma modalidade original de missão: a evangelização dos cristãos satisfeitos com uma difusa religiosidade e quase esquecidos da fé cristã. Como a fé não se transmite por hereditariedade nem por nacionalidade, passa-se a incluir no rol de cristãos todos os que foram batizados, mesmo que não tenham muita clareza sobre o significado de ser cristão, o que supõe sempre uma opção pessoal. O Papa pediu a evangelização das novas e velhas cristandades, já amorfas e sem muita capacidade de contagiar  o mundo.

Assim fomos chamados à generosidade da missão ad gentes e à necessidade da missão ao interno das comunidades cristãs.

Talvez ainda se viva e se planeje uma pastoral totalizadora, na duvidosa convicção – generalizada no Brasil – de que quem não é protestante é católico, mesmo sendo agnóstico, indiferente, espírita. É a estatística triunfalista que traz o prazer de nos considerarmos o maior país católico do mundo. Deste modo, a grande energia missionária de nossos agentes de pastoral é aspergida sobre tudo e sobre todos, com escassos resultados de amadurecimento pessoal cristão, pois dá-se por suposta a fé cristã nos batizados. Na década de 60, Karl Rahner colocava a pergunta: se sou responsável por um jardim que está ressequido e tenho apenas um copo de água, posso tomar duas atitudes: derramá-lo sobre todas as flores sedentas, que acabarão morrendo, ou sobre uma flor apenas, que conseguirá readquirir vida e dará sementes. O grande teólogo alemão aconselhava a segunda alternativa como modelo de evangelização. Há o sofrimento de não poder atingir a multidão, mas há a alegria de ver surgirem novas e robustas pequenas comunidades, que oferecerão a possibilidade do “contágio”.

Para que nos convençamos da necessidade de uma nova evangelização precisamos incluir em nosso compromisso a verdade de que o cristianismo é um caminho, uma pedagogia de santidade, de divinização da pessoa batizada, gerando um estilo de vida fundamentado na imitação de Cristo, no discipulado. Ser cristão não é assumir determinada ética, caindo-se no moralismo cristão. Ser cristão é aceitar a pessoa de Cristo e pela graça poder dizer com Paulo: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”. Somente assim cada um de nós, os cristãos, degustará o sabor da novidade cristã, sentirá o fascínio pelo Senhor, viverá em comunidades-sinal, pelo testemunho cumprindo o mandato missionário.

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