OS CARDEAIS, SENADO DO PAPA

Conclave

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No dia 21 de janeiro, seguindo o costume de a cada três anos convocar um Consistório (reunião de cardeais presidida pelo papa), João Paulo II o agendou para 21 de fevereiro e anunciou os nomes dos novos cardeais que nesta data serão empossados. Para surpresa de todos, no domingo seguinte, 28, anunciou mais sete, fazendo o número de eleitores num próximo Conclave (reunião dos cardeais para a escolha de um papa) saltar para 135, quando o número estabelecido por Paulo VI é de 120.

Alguns vaticanólogos (jornalistas especializados em assuntos vaticanos), prevêem que a próxima surpresa de João Paulo II será a de estender a todos os cardeais o direito de voto no Conclave, atualmente limitado à idade de 80 anos.

Com relação ao Brasil, não houve novidades na indicação de Dom Cláudio Hummes OFM e Dom Geraldo Majella Agnelo, respectivamente arcebispos de São Paulo e de Salvador, sedes episcopais normalmente ocupadas por cardeais.

Pela primeira vez em sua história, a Igreja boliviana terá um de seus bispos no Colégio cardinalício, o de Santa Cruz de la Sierra.

Mas, quem são os cardeais? A ultrapassada linguagem que confunde missão eclesial com coluna social os denomina de “eminências reverendíssimas”, “eminentes purpurados”, “príncipes de sangue”. Heranças medievais que o novo milênio buscará sepultar, pois isso explicita uma triste confusão entre  serviço cristão e poder cristão. Nosso Salvador é o Cristo crucificado e nu, e não um homem vestido de púrpura. Esse tipo equivocado de catolicismo faz com que o presidente da França e o rei da Espanha sejam cônegos do Capítulo da basílica romana de São João de Latrão, a catedral do papa. Mesmo se fossem ateus ou agnósticos, têm o direito de lá rezar o Breviário, vestidos com vistosas batinas negras, com alguns enfeites vermelhos, essa cor tão amado dos amigos da pompa.

Os cardeais são auxiliares diretos do papa em questões internas e externas da vida da Igreja. São o “senado” papal. A maioria deles é constituída por bispos diocesanos, o título cardinalício nada afetando em sua vida pastoral. Não se pergunta ao cardeal arcebispo de Salvador qual o seu poder no Vaticano (a resposta é  nenhum) e sim, como é seu ministério pastoral junto a essa arquidiocese baiana. Os pastores estão ligados às ovelhas e não a presuntos poderes externos.

Outros são cardeais por ocuparem postos na Cúria romana que incluem o título. Outros são uma escolha pessoal e fiducial do papa, como no caso brasileiro são Dom Aloísio Lorscheider OFM de Aparecida e Dom Serafim de Araújo, de Belo Horizonte.

Também acontece a escolha do assim chamado “cardeal teólogo”: tanto pode ser um teólogo auxiliar do papa como pode ser a homenagem pontifícia a teólogos que marcaram a vida da Igreja, como aconteceu com Yves Congar, Dominique Chenu, Hans von Balthasar e no próximo Consistório acontecerá com Toberto Tucci SJ, Avery Dulles SJ e Leo Scheffczyk.

Para nós cristãos, o que realmente importa é invocar as luzes do Espírito Santo para que num Conclave os cardeais indiquem para Papa um homem santo, sábio, aberto aos sinais da história. Um servidor de Jesus e de seu povo.

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