NASCEU HOJE O SALVADOR

Eu vim para que todos tenham vida, e para que a tenham em abundância” (Jo 10, 10)

Natividade do Senhor

Natividade do Senhor

O humilde e silencioso nascimento em Belém de Judá, dois mil anos agora completados, parecia destinado a ser lembrado apenas na obscura biografia de um casal de Nazaré, José e Maria, relegado à marginalidade da história.

E assim foi por 33 anos, quando a notícia da ressurreição de Jesus de Nazaré passou a ser anunciada por discípulos transformados e foi atraindo, de modo irrefreável, o Império romano, os bárbaros, toda a face da terra, conquistando a cada um de nós como discípulos ou como adversários, nunca como indiferentes. O sepulcro vazio de Jerusalém explicita a manjedoura de Belém: o Menino saudado pelos anjos e pastores, adorado pelos Magos, é a realização do destino humano e do cosmos. Ele é o Salvador, não apenas aquele apagador de pecados a que muitos o reduzem, mas o Salvador da criação: tudo nele será completado e por ele a pessoa humana pode realizar sua vocação à divinização, recuperar a imagem e semelhança de Deus, como foi criado.

Nisso reside o mistério do Natal: o ser humano não é a mediocridade a que se conforma reduzir, mas é chamado a existir em Deus, do mesmo modo que em Jesus Deus aceitou existir no humano. Segundo um pensamento muito caro à antiga sabedoria cristã, Deus se fez humano para que o humano se fizesse divino.

Quando Jesus, já exercendo o ministério profético pelas vilas e caminhos da Palestina, definiu o sentido de sua missão, deixou bem claro que ela tem a ver com a vida em seu sentido mais amplo e pleno: “Eu vim para que todos tenham vida, e para que a tenham em abundância” (Jo 10,10).

Após isso, o ato de fé em Deus está inseparavelmente unido ao ato de fé na transformação do ser humano e do cosmos como compromisso pessoal de cada discípulo, de cada cristão. Numa palavra, crer em Deus é comprometer-se com a vida que dele jorra. Seus discípulos seguem seus passos em defesa da vida em qualquer lugar em que se encontra o ser humano. O cristão não se deixa levar pelo preconceito (esse é bom, é dos nossos, aquele não presta), mas pela irresistível força do amor. Porque assim Jesus procedeu diante dos doentes, dos pecadores, dos marginalizados socialmente, dos famintos: ele não julgou as pessoas, mas olhou-as na face sofrida com o compromisso de dar-lhes vida. Nenhum pobre da terra teve receio de se aproximar dele, porque sua missão era acolher, reunir o que estava disperso para dar a vida.

É tempo de Natal, é tempo de renascer. O Menino não nasceu: ele nasce ainda em todo aquele que nele crê como Salvador e se dispõe a fazer a vida renascer. A Igreja crê em seu Senhor e Salvador e por causa dele assume a missão transfiguradora da história.

Há dois mil anos é tempo de Natal. Feliz Natal!

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