DE PEDRO E PAULO A BENTO XVI

15-05-2009: Papa Bento XVI reza no Santo Sepulcro em Jerusalém

15-05-2009: Papa Bento XVI reza no Santo Sepulcro em Jerusalém

Em quatro de outubro de 1965 o Papa Paulo VI realizou histórica visita à Organização das Nações Unidas-ONU, marcada pela corajosa defesa da paz e da justiça entre as nações. No solene e austero Auditório se apresentou dizendo: “Meu nome é Pedro”.

Desde Simão Pedro, o pescador da Galiléia, foram 264 os homens que afirmaram terem o mesmo nome: Pedro. Bento XVI é o 265º, tantos foram os bispos de Roma e pastores universais da Igreja Católica.

Por que o nome de Pedro? É muito claro no Novo Testamento que Jesus confiou a Simão Pedro uma missão especial no colégio dos Apóstolos, e a Igreja primitiva assim o entendeu. Pedro recebeu de Jesus o encargo de confirmar os irmãos na fé, de ser a pedra sobre a qual construir a Igreja que professa “Tu és o Cristo, o Filho de Deus”. Pedro talvez não fosse o melhor de todos, mas foi o escolhido. O discípulo predileto era João, mas a Pedra da Igreja foi Pedro, aquele que traiu vergonhosamente o Mestre a amigo, mas que se arrependeu e chorou o pecado.

É Pedro o primeiro a falar no dia de Pentecostes, quando nasce a primeira comunidade cristã. É Pedro que preside a Igreja em Jerusalém e Antioquia. É Pedro que confirma a Igreja em Roma onde, juntamente com Paulo, derrama o sangue como preço pela fidelidade ao Mestre e Salvador.

A vida e morte de Pedro e Paulo em Roma, onde estão seus túmulos, fazem da Igreja de Roma a primeira entre todas as Igrejas. A primeira não em poder, mas a primeira no serviço em defesa da unidade da fé e da santidade de vida dos cristãos.

Pedro é o símbolo da Igreja que vem do Judaísmo, da grande tradição de Moisés e dos Profetas; Paulo simboliza a mesma Igreja, mas aberta a todos os povos, universal, católica. Pedro funda a Igreja sobre a herança de Israel, Paulo abre suas portas a todos os povos.

Os Papas, bispos de Roma, têm essa missão: conservar a fidelidade à Sagrada Escritura e levar o Senhor e Salvador Jesus Cristo a todos os povos. Um Papa não pode ser julgado pela simpatia ou popularidade: seu julgamento é a Palavra de Deus e a fidelidade a Cristo. 

Os Papas, servidores da Verdade e da Vida

Jesus se definiu como “Caminho, Verdade e Vida”. Ele é, portanto, o caminho, a verdade e a vida da Igreja e da vida de cada cristão. Essa é a Verdade pela qual o Papa deve zelar, ao preço da crítica, do deboche, do martírio. O que importa não é agradar, mas a fidelidade sem fraquejar. Numa civilização em que “agradar” é o preço de quase tudo, falar em defesa da verdade e da vida pode soar antiquado e o Papa recebe todos os títulos de ser contra a caminhada da História.

Sua recente viagem à África mostrou isso com muita crueza: tiraram uma frase do contexto e quiseram expor o Papa ao ridículo de ser assassino de pobres por condenar a tão falada “camisinha”. As reações da Europa (Bélgica, França e Alemanha especialmente) ao Papa têm escopo intimidatório, pois o Papa falou do primado dos pobres, da exploração das riquezas da África (petróleo e diamante em Angola), do retorno ao neo-colonialismo. Atacando e desmoralizando o Papa, tirando a frase do contexto (só preservativo não resolve), buscou-se intimidá-lo. É bom um Papa enfraquecido para que os pobres não tenham mais um defensor universal. Uma Europa que quer fechar as fronteiras aos imigrantes que fogem da miséria sente-se muito incomodada diante do Papa que reafirma um não à intolerância e à exclusão dos pobres.

Bento XVI é um homem que leva a peito a palavra com que iniciou seu pontificado em 19 de abril de 2005: “Sou um humilde operário da vinha do Senhor”. Essa humildade o leva a pedir desculpas por alguma colocação menos feliz, retroceder quando tem uma visão mais clara da situação. Ele revela que o Papa não sabe tudo, mas quer acertar na fidelidade ao Senhor das consciências e da vida, Jesus Cristo. Como servidor o Papa tem claro que sua missão será traída se, para agradar o auditório, trair a Palavra do Senhor. 

A força do Senhor e a fragilidade dos Papas

O mesmo Pedro que declarou Cristo o Filho de Deus, que jurou dar a vida por ele, depois o traiu na véspera de sua Paixão. Mas esse mesmo Pedro soube se arrepender e, no perdão, redobrar o amor pelo Mestre.

A História da Igreja tem casos de Papas que pecaram, que esqueceram sua missão religiosa, que não foram o melhor exemplo de discipulado. Mas, nem por isso a Igreja tornou-se pecado. Nos piores momentos da história eclesial o Espírito despertou grandes expoentes de santidade e movimentos de espiritualidade. É o Espírito prometido e derramado sobre os cristãos que garante a contínua regeneração do tecido eclesial. É muito feliz a expressão: a Igreja é santa em sua Cabeça. Cristo, e pecadora em seus membros, nós. O Papa é sempre membro da Igreja, mesmo que seu ministério seja o de maior responsabilidade.

É na fragilidade que se manifesta a força de Cristo e do Evangelho.

Joseph Ratzinger, Papa Bento XVI, nasceu em Marktl am Inn, diocese de Passau (Alemanha), no dia 16 de abril de 1927 (Sábado Santo), e foi batizado no mesmo dia. Seu pai, comissário da polícia, provinha duma antiga família de agricultores da Baixa Baviera, de modestas condições econômicas. Sua mãe era filha de artesãos de Rimsting, no lago de Chiem, e antes de casar trabalhara como cozinheira em vários hotéis.

É dessa família humilde que sai um dos grandes teólogos do século XX e o principal amigo e conselheiro de João Paulo II: Bento XVI. Sua avançada idade – 82 anos – não o impede de exercitar corajosamente o ministério petrino, ser humildemente o primeiro entre os iguais no episcopado e ser irmão de cada um de nós na fé, conosco pedindo perdão dos pecados e anunciando a graça do Senhor. Declarou, no dia de seu aniversário: “Como tive a chance de afirmar recentemente, nunca me sinto só. Além do mais, nesta particular semana santa, que para a liturgia constitui um só dia, experimentei a comunhão que me rodeia e me sustenta: uma solidariedade espiritual, nutrida essencialmente de orações, que se manifesta de mil maneiras”, disse o Pontífice.

O Papa não está só, nós não estamos sós: o Povo de Deus continuamente eleva aos céus a oração que invoca o Espírito sobre os membros da Igreja e de toda a família humana.

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